Nestor Tissot enfrenta crise administrativa com pressão do MP em 2026

Publicado por Marcelo Neves em 7 de maio de 2026 às 22:37. Atualizado em 7 de maio de 2026 às 22:37.

O prefeito de Gramado, Nestor Tissot, entrou no centro de uma nova crise administrativa após duas frentes de pressão do Ministério Público do Rio Grande do Sul em 2026.

A mais recente envolve a gestão do Hospital Arcanjo São Miguel, após a Justiça suspender o chamamento público que previa contratar uma organização social para administrar a unidade.

Antes disso, em março, Tissot já havia sido notificado para comprovar a exoneração do então chefe de gabinete Rafael Ronsoni por descumprimento da Lei Municipal da Ficha Limpa.

Justiça barra edital do hospital em Gramado

Em 7 de abril de 2026, o MPRS informou que obteve decisão liminar para suspender o Chamamento Público 2/2026, aberto pelo município para a gestão do Hospital Arcanjo São Miguel.

Segundo a ação, o edital previa teto mensal de R$ 4,9 milhões, valor considerado insuficiente para manter o funcionamento adequado da estrutura hospitalar.

O Ministério Público sustentou que um estudo técnico apontava necessidade de cerca de R$ 5,1 milhões por mês para operação sustentável.

Na decisão, a Justiça proibiu recebimento de propostas, julgamento e assinatura de contrato enquanto a suspensão estiver em vigor.

  • Chamamento suspenso em todas as fases
  • Contrato com OSS ficou travado
  • Multa diária fixada em R$ 3 mil em caso de descumprimento
Reunião entre Nestor Tissot e representantes do MP sobre a gestão municipal
Foto: Divulgação / Tratada com IA

Pressão do Ministério Público já vinha de março

A tensão institucional não começou no caso do hospital. Em 13 de março, o MPRS notificou pessoalmente Nestor Tissot para comprovar, em 48 horas, a exoneração de Rafael Ronsoni.

De acordo com a Promotoria de Justiça de Gramado, a medida foi baseada na Lei Municipal da Ficha Limpa, que restringe nomeações de condenados por crimes contra a administração pública.

O órgão apontou que Ronsoni havia sido condenado pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça gaúcho por peculato, em dez ocasiões, com manutenção da condenação por crimes contra a administração.

Esse histórico elevou a cobrança sobre a prefeitura e ampliou o desgaste político do núcleo mais próximo do Executivo municipal.

  1. Primeiro, surgiu a notificação sobre o chefe de gabinete.
  2. Depois, veio a discussão sobre legalidade e viabilidade do edital do hospital.
  3. Agora, o foco recai sobre governança e capacidade de resposta da prefeitura.

O que muda para a gestão de Nestor Tissot

Os dois episódios têm naturezas diferentes, mas produzem o mesmo efeito: aumentam a vigilância sobre decisões centrais do governo municipal.

No caso do hospital, o risco apontado pelo MPRS é de subfinanciamento do único hospital da cidade, com possível impacto na continuidade e na qualidade do atendimento.

Já no caso Ronsoni, o debate envolve integridade administrativa, cumprimento de norma local e responsabilidade direta do prefeito sobre cargos de confiança.

O portal do Diário Oficial do Município de Gramado concentra as publicações formais da administração e deve ser peça-chave para acompanhar próximos desdobramentos.

  • Se houver novo edital, ele tende a sofrer escrutínio maior
  • Nomeações políticas devem ser observadas com mais rigor
  • A oposição ganha munição para cobrar transparência

Para Nestor Tissot, o desafio imediato é político e operacional: responder aos questionamentos sem paralisar áreas sensíveis, especialmente saúde e articulação interna do governo.

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