Gramado voltou a colocar em debate um dos projetos urbanos mais ambiciosos de 2026. A proposta da chamada Nova Centralidade, na Região Norte, avançou na Câmara e passou a mobilizar governo, vereadores e moradores.
O tema ganhou força após a convocação de audiência pública extraordinária para discutir o PLC 01/2026. O texto trata da criação de um novo eixo de expansão urbana no bairro Mato Queimado.
Segundo a Câmara, o projeto abrange cerca de 900 hectares na Região Norte de Gramado, com conexão ao centro, Canela e Nova Petrópolis.
O que está em discussão no Legislativo
A proposta foi protocolada em 23 de março de 2026. Desde então, entrou na pauta legislativa como um tema estratégico para o futuro territorial da cidade.
Na prática, o PLC 01/2026 cria o Projeto Urbanístico Relevante Nova Centralidade. A medida busca organizar uma nova frente de ocupação urbana fora do núcleo tradicional do município.
O debate ocorre em um momento de pressão sobre mobilidade, moradia e infraestrutura. Gramado vive crescimento constante, com forte fluxo turístico e expansão de serviços.
A audiência pública foi marcada para 15 de abril, às 18h, no Teatro Elisabeth Rosenfeld. O encontro também teve transmissão ao vivo nos canais oficiais da Câmara.
- Projeto: PLC 01/2026
- Área prevista: aproximadamente 900 hectares
- Local: bairro Mato Queimado
- Objetivo central: criar uma nova centralidade urbana
A Comissão de Mérito convocou o debate para ampliar a participação popular. A expectativa foi ouvir moradores, setor produtivo e técnicos da prefeitura.

Por que a Nova Centralidade entrou no radar de Gramado
O argumento central do Executivo é que o modelo atual de crescimento já mostra sinais de esgotamento. O centro concentra deslocamentos, serviços e parte relevante da atividade econômica.
Com isso, congestionamentos, déficit habitacional e pressão sobre a infraestrutura passaram a aparecer como justificativas formais para uma expansão mais planejada do território.
Em material divulgado pelo Legislativo, a proposta foi apresentada como resposta a desafios já vividos pela população, incluindo trânsito intenso, necessidade de moradia e demanda por serviços públicos.
Além disso, a tramitação oficial registrou que o projeto começou a tramitar na sessão de 23 de março, ao lado de outras propostas urbanas e sociais.
Esse movimento sugere uma tentativa de antecipar problemas. Em vez de apenas reagir à expansão imobiliária, o município tenta desenhar previamente a ocupação de uma nova área.
- Descentralizar moradias e serviços
- Reduzir pressão sobre o centro
- Criar nova frente econômica
- Planejar infraestrutura antes da ocupação
O projeto também mira um reposicionamento urbano. Gramado, tradicionalmente associada ao turismo, tenta discutir crescimento permanente e estrutura para moradores, não só para visitantes.
Quais estruturas e mudanças estão previstas
O desenho inicial da Nova Centralidade combina habitação, mobilidade, preservação ambiental e desenvolvimento econômico. A intenção é formar um novo polo com funções múltiplas.
Entre os eixos divulgados estão sustentabilidade ambiental, conectividade, geração de empregos, qualidade de vida e gestão participativa. O pacote inclui áreas verdes, parques e corredores ecológicos.
Na mobilidade, aparecem soluções como transporte público qualificado, acessibilidade universal, ciclovias e terminal intermodal. O material também menciona alternativas inovadoras, como teleférico.
No campo social, o plano prevê áreas para habitação de interesse social. Esse ponto é relevante porque recoloca o debate sobre acesso à moradia dentro de uma cidade pressionada pelo turismo.
Também foram citados equipamentos de maior porte, como complexo hospitalar, espaços culturais e áreas voltadas à inovação em saúde, educação e tecnologia.
- Primeiro, a proposta define a área e o conceito urbanístico.
- Depois, passa pelo debate público e pelas comissões da Câmara.
- Em seguida, pode seguir para votação em plenário.
- Se aprovada, abre caminho para etapas posteriores de regulamentação.
Parte desse planejamento se conecta a dados municipais já divulgados, como a operação de linhas urbanas em regiões como Mato Queimado. O próprio município informa que 100% da frota de ônibus urbanos é adaptada, sinalizando uma base de mobilidade a ser expandida.
Impactos políticos, urbanos e econômicos do projeto
A Nova Centralidade não é apenas uma proposta técnica. Ela tem peso político porque mexe com uso do solo, valorização imobiliária, circulação de pessoas e prioridades de investimento público.
Se avançar, o projeto poderá influenciar o mapa de crescimento de Gramado pelos próximos anos. Isso inclui onde morar, onde investir e onde o poder público concentrará obras.
Há potencial para aliviar a sobrecarga do centro. Ao mesmo tempo, especialistas e moradores tendem a cobrar garantias sobre preservação ambiental, custos e cronograma de execução.
Outro ponto sensível será a governança. Um projeto dessa escala depende de integração entre planejamento, meio ambiente, mobilidade, habitação e desenvolvimento econômico.
No debate público, a principal disputa deve girar em torno de uma pergunta objetiva: a nova centralidade será um vetor de inclusão urbana ou apenas uma nova fronteira de valorização?
Por enquanto, o que existe é um projeto em discussão formal. Mas o simples avanço do tema para audiência pública já mostra que Gramado abriu, em 2026, uma conversa de longo prazo sobre seu desenho urbano.
O que observar nas próximas semanas
O primeiro ponto é o resultado político da audiência pública. A receptividade da comunidade pode acelerar ajustes, emendas ou pedidos de complementação técnica.
O segundo é o conteúdo final do parecer das comissões. É nessa fase que o texto costuma ganhar condicionantes, exigências e maior detalhamento jurídico.
O terceiro será a votação em plenário. Se o PLC avançar, Gramado entrará em uma etapa decisiva de planejamento territorial com efeitos além do calendário de 2026.
Para o mercado local, o sinal é claro: o município quer discutir expansão com desenho prévio. Para os moradores, a dúvida central continua sendo como esse novo eixo afetará mobilidade, moradia e qualidade de vida.
Num município acostumado a manchetes ligadas ao turismo, o debate sobre a Nova Centralidade recoloca a pauta estrutural no centro da agenda. E esse pode ser um dos fatos urbanos mais relevantes do ano.
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